terça-feira, junho 30

O colar de Oxumarê

o movimento - a diluição - a renovação - o magnetismo

Bem no meio do caminho a cobra-coral de anéis cintilantes – vermelhos, brancos, negros. Imóvel. Imóvel como se apenas vivesse no brilho das cores.

Ó tu, que passas, enganador de mulheres, cuidado! Cuidado!
Este é o colar de Oxumaré. Foi por tua causa – por tua causa! – que Oxumaré deixou cair o seu colar aberto.

Oxumaré guarda as fontes. Este é o colar encantado, que Iemanjá, a Mãe-da-Água, prendeu ao pescoço de Oxumaré.
Iemanjá falou assim:
– Oxumaré! Oxumaré! Aqui tens o meu colar.
Oxumaré perguntou:
– Que hei-de fazer? Que hei-de fazer?
Iemanjá falou grave:
– Oxumaré! Oxumaré! Protege bem as mulheres.
Oxumaré perguntou:
– Que hei-de fazer? Que hei-de fazer?
Iemanjá baixou os olhos, Iemanjá falou severa:
– Oxumaré! Oxumaré! Castiga os homens que enganam.
Oxumaré perguntou:
– Que hei-de fazer? Que hei-de fazer?
Iemanjá riu… Iemanjá fica mais bela quando ri… Iemanjá riu na cara de Oxumaré:
– Oxumaré! Oxumaré! Ensina amor a quem não sente.
Oxumaré entendeu… Oxumaré riu também. Oxumaré piscou um olho:
– Hei-de fazer! Hei-de fazer!
.
Mulher que foi enganada, e se consome de paixão, vai de noite, sozinha, à fonte da mata, onde Oxumaré toma banho.
A mulher vai sozinha. Há-de ser em noite de lua-cheia, à hora da meia-noite… E a mulher deixa cair na água, onde a Luz se mira, um ramo de arruda cortado de fresco.
No mesmo instante Oxumaré já sabe o que ela deseja, e muda o seu colar em cobra-coral…

O colar de Oxumaré jaz no meio do caminho do amante enganador. E agora ele passa… Passa, passa descuidado, e morre da picada venenosa.
Mas, quando o homem ignora o amor da mulher, o colar de Oxumaré lhe fica apenas à vista, e amor se acende no coração do homem!


;)

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