sábado, maio 30

Somos iguais em desgraça,
vamos cantar o blues da piedade


...e perdendo horas de estudo, de sono, para trabalhar naquele evento de quinta chamado Casa Cor, esse ano instalado naquele lugar de sexta com gente de sétima que é o Jóquei Clube Paulista. Enfim, eu faço parte do proletariado brasileiro.....

Não reclamo, nem tenho direito de reclamar. Direito não. Hoje não reclamo por direitos. Hoje me falta o estômago. Hoje a mistura de indignação e impotência diante da realidade me cala.

Um homem maltrapilho e maltratado pela vida, de roupas rasgadas e falando consigo em uma linguagem própria, com grunhidos e momentos de dolorosos gritos. O marginal perdera a lucidez as custas da fome, da total indiferença.

E qual terá sido a história de vida deste homem! Qual?

Filhos, casa, pais amorosos, órfão? Alguém sente sua falta? Alguém o ama?

Meu Deus ele fez alguma diferença nesse mundo?

Dentre os marginais da área (para os mais desavisados, explico que utilizo esse termo no sentido de "a margem de"), prostitutas, travestis, mendigos, havia algo de singular e de intensa degradação nesse homem...

Talvez sinta assim pelo que ele tinha de mais especial. Especial. Um olho cego, e outro arregalado, quase para fora do globo ocular, totalmente consumido por uma fina pele esbranquiçada.

O que você poderia fazer por ele. O que você pode fazer? Gritar em reuniões sindicais, unir-se a um partido, entrar para uma ONG, olhar para o seu umbigo?

Eu comprei comida. Foi o que eu fiz. E foi a coisa que eu mais me envergonho de ter feito. Me envergonho de não ter forças para transformar aquela situação.

Eu não consegui. E você,conseguiria?Não...Eu garanto que não.

A alma dói.
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